Especialista fala sobre esse sentimento que costuma causar sofrimento a quem ama
“Tem dia que eu quero pular da cama, correr naquele quarto de empregada, pegar na mão da Nina, e fugir daquela casa! Ir para a França, para o raio que o parta. Chutar o balde e ser feliz com ela”. Essa é apenas uma das frases de Tufão, personagem do ator Murílo Benício, em “Avenida Brasil”, ao pai (Marcos Caruso), sobre o amor secreto de sua vida.
Na trama, depois te ter tido um revival com Monalisa (Heloísa Perissé) e de ter se acertado com Carminha (Adriana Esteves), o ex-jogador de futebol vive o dilema do amor platônico pela personagem da atriz Débora Falabella, a Nina. Na ficção esta situação pode até parecer bonita e avassaladora, mas na vida real desestrutura a pessoa e seu objeto de desejo. Em uma conversa com a terapeuta Ana Canosa, que explica de que forma o amor platônico se manifesta.
O que é o amor platônico?
Ana Canosa: É você investir em um sentimento de amor, de querer bem, de ternura, numa pessoa que você muitas vezes não tem contato e por isso mesmo ele é muito idealizado. Em muitos casos, o sentimento é manifestado sobre uma pessoa proibida. Ela pode amar platonicamente outra que é casada, por exemplo. Ou alguém que de alguma maneira você se sente incapaz de concretizar esse amor. Concretizar no sentido corporal mesmo, do beijo, do abraço. Não necessariamente do sexo.
Ana Canosa: É você investir em um sentimento de amor, de querer bem, de ternura, numa pessoa que você muitas vezes não tem contato e por isso mesmo ele é muito idealizado. Em muitos casos, o sentimento é manifestado sobre uma pessoa proibida. Ela pode amar platonicamente outra que é casada, por exemplo. Ou alguém que de alguma maneira você se sente incapaz de concretizar esse amor. Concretizar no sentido corporal mesmo, do beijo, do abraço. Não necessariamente do sexo.
Esta incapacidade está relacionada a exatamente o quê?
A.C.: Existem pessoas que amam platonicamente porque têm muita dificuldade de se relacionar. São pessoas muito tímidas, muito introvertidas. Há nesse universo um medo e uma timidez muito grande de seduzir, de cantar, de partir para cima e por isso elas acabam amando platonicamente. É um amor sempre idealizado, onde a pessoa ama à distância. Você na verdade não sabe como é que é aquela pessoa na relação amorosa. Você imagina. Você projeta esse ideal de amor nessa pessoa porque ela está longe de você.
A.C.: Existem pessoas que amam platonicamente porque têm muita dificuldade de se relacionar. São pessoas muito tímidas, muito introvertidas. Há nesse universo um medo e uma timidez muito grande de seduzir, de cantar, de partir para cima e por isso elas acabam amando platonicamente. É um amor sempre idealizado, onde a pessoa ama à distância. Você na verdade não sabe como é que é aquela pessoa na relação amorosa. Você imagina. Você projeta esse ideal de amor nessa pessoa porque ela está longe de você.
Agindo assim, a pessoa que ama fica de certa forma numa zona de conforto?
A.C.: Essa pessoa sofre. E o curioso é que existem pessoas que gostam de sofrer por um amor assim. Existe certo prazer em manter esse ideal. Agora, o que é mais preocupante, é aquela um relacionamento está ruim e ela começa a amar platonicamente outro. É exatamente o caso do personagem Tufão, que está casado com a Carminha (Adriana Esteves), mas não tem coragem de se separar. Eu chamo isso de refúgio amoroso.
A.C.: Essa pessoa sofre. E o curioso é que existem pessoas que gostam de sofrer por um amor assim. Existe certo prazer em manter esse ideal. Agora, o que é mais preocupante, é aquela um relacionamento está ruim e ela começa a amar platonicamente outro. É exatamente o caso do personagem Tufão, que está casado com a Carminha (Adriana Esteves), mas não tem coragem de se separar. Eu chamo isso de refúgio amoroso.
Como assim?
A.C.: Eu me refugio na imagem de alguém. Invisto toda a minha energia amorosa nessa pessoa, que muitas vezes nem sabe quem eu sou ou o que estou sentido. Então ao invés de eu enfrentar a crise com o meu parceiro, eu amo platonicamente um terceiro como uma espécie de proteção amorosa para aplacar a minha angustia de desamor. Elas escolhem um objeto de amor que as atrai e acabam depositando nelas todo esse afeto que não consegue realizar na vida real, no concreto.
A.C.: Eu me refugio na imagem de alguém. Invisto toda a minha energia amorosa nessa pessoa, que muitas vezes nem sabe quem eu sou ou o que estou sentido. Então ao invés de eu enfrentar a crise com o meu parceiro, eu amo platonicamente um terceiro como uma espécie de proteção amorosa para aplacar a minha angustia de desamor. Elas escolhem um objeto de amor que as atrai e acabam depositando nelas todo esse afeto que não consegue realizar na vida real, no concreto.
É comum este amor acontecer no mundo virtual?
A.C.: O platonismo ficou hoje ainda mais reforçado com as redes sociais. Nelas, as pessoas têm uma série de possibilidades de investir numa pessoa só com a troca de conversas afetivas e fotos. Quanto mais platônico é, quanto mais distante, mais idealizado, mais forte fica essa imagem. Isso pode ser negativo para aquela pessoa que realmente quer se relacionar. Porque, afinal, relacionamento é de carne e osso, não tem jeito.
A.C.: O platonismo ficou hoje ainda mais reforçado com as redes sociais. Nelas, as pessoas têm uma série de possibilidades de investir numa pessoa só com a troca de conversas afetivas e fotos. Quanto mais platônico é, quanto mais distante, mais idealizado, mais forte fica essa imagem. Isso pode ser negativo para aquela pessoa que realmente quer se relacionar. Porque, afinal, relacionamento é de carne e osso, não tem jeito.






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